
Em trabalho realizado para a disciplina eletiva de Direitos Humanos no 7° Semestre do curso de Serviço Social na Universidade Federal do Pará, discutiu-se a questão entre a mídia e os Direitos Humanos levantada no filme Live!, 2007 com Eva Mendes.
Para quem não assistiu aqui vai uma sinopse.
“Live!” é um filme classificado como comédia/drama, possui roteiro e direção por Gill Guttentag, se passa nos Estados Unidos e tem duração de 96 minutos.
Os principais atores que compõem o elenco do filme são: Eva Mendes (Katy), David Krumholtz (Rex), Eric Lively (Brad), Katie Cassidy (Jewel), Jeffrey Dean Morgan (Rick), Rob Brown (Byron), Jay Hernandez (Pablo), Monet Mazur (Abalone) e Andre Braugher (Don).
O filme Live! (Ao Vivo!) mostra a atuação de Katy Coubert - uma executiva da rede de televisão ABN, que em busca de maiores audiências para a sua emissora resolve criar um programa ousado onde ocorrerá uma espécie de roleta-russa ao vivo, e o candidato que sobreviver à mesma será gratificado com uma quantia em dinheiro.
Seis pessoas se inscrevem no programa de TV (Abalone, Rick, Brad Prince, Byron Boyd, Pablo Rodriguez, Jewel Jensen) para concorrer a cinco milhões de dólares cada um que sobreviver. O reality-show é coordenado por um astro do cinema e da TV chamado Buck Conrad que ao introduzir o programa afirma “Isso é história,isso é real e isso é ao vivo”. Existe apenas uma arma carregada com cinco balas de festim e uma de prata. O candidato sorteado deve se dirigir a um compartimento, direcionar a arma para a cabeça e apertar o gatilho.
A primeira candidata a tentar é Jewel, e para sua sorte dispara uma bala de festim. O mesmo acontece com Pablo, o segundo candidato. Enquanto isto a produtora do programa vibra com a elevação dos pontos de audiência do mesmo. Então Abalone é sorteada para ser a terceira candidata a experimentar a roleta russa, no entanto, esta surpreende a todos quando ao invés de atirar em si mesma cogita atirar no apresentador, mas retorna a arma para sua cabeça e ativa outra bala de festim. É quando a audiência chega aos 44 pontos. Byron é o quarto sorteado, e também sai ileso. Neste momento o programa chega aos 55 pontos e segue subindo a cada candidato sorteado. Então Brad Prince é chamado para o “cano” e a bala então lhe tira a vida. Por alguns segundos todos ficam atônitos, então se coloca uma música de fundo, procurando filmar a reação do público diante da morte e a do último candidato Rick de alívio por não ter morrido e ter conseguido o prêmio em dinheiro para beneficiar sua família. Assim sendo, toca uma música de comemoração e todos celebram a vitória de Rick.
Após o término do programa, a produtora e mentora de tudo isto passa mal, sente-se culpada pela morte de Brad. Seu colega de trabalho Dylan a adverte que quem puxou o gatilho foi ele (Brad), admitindo ter sido uma conseqüência das escolhas do candidato e não dela. Apesar disto, Katy não resiste a sua própria consciência que lhe atormenta com o fato de que ela “colocou a arma nas mãos de Brad”.
Ao sair da cabine de edição para dar entrevista aos jornalistas de outras emissoras, Katy é questionada se estava satisfeita com o resultado do programa e se pretendia matar uma família inteira da próxima vez, sem resposta Katy é surpreendida por um homem desconhecido que saca uma arma em sua direção e dispara três vezes.
Katy não resiste e vem a óbito. O advogado da empresa ao dar a notícia é questionado se o programa não haveria estimulado o rapaz a atirar em Katy, responde que estão convencidos que o programa feito por ela e este ato de violência não possuem relação, e que no momento vão pensar apenas na perda de sua colega de trabalho.
Um ano depois o programa volta ao ar, e como Katy prevera, LIVE! se tornou o programa de maior sucesso da televisão. O jornal New York Times publicou matéria de aniversário de morte de Katy, considerando-a como arrojada e visionária.
ANÁLISE
Há demasiada influência dos meios de comunicação sobre vida das pessoas. Por isso, é incontestável o papel sociocultural que os mesmos cumprem ante a sociedade. Deste modo, entende-se ser indispensável o papel da mídia no processo de valorização e respeito aos Direitos Humanos.
O filme Live! é polêmico, pois provoca a discussão sobre até onde o direito a liberdade de expressão da mídia pode interferir no direito a vida?
Na medida em que a sociedade civil organizada discutem junto ao Estado as formas democráticas e transparentes de mudanças profundas nas leis e no funcionamento das corporações da mídia, estas se irritam evocando liberdade de expressão e direito a informação. Tais discussões só vêm à tona quando a oligarquia da mídia vê seus lucros ameaçados pelo bom senso democrático.
Sendo assim, os jornalistas passam a atuar como agentes políticos, porta-vozes de seus patrões. Geralmente se utilizam de tal cargo para distorcer conceitos (como o de liberdade de expressão e de democracia) para enganar a população. Ocorre, portanto, certa manipulação das informações. Pois, ao mesmo tempo em que defendem a democracia e a diversidade de informação, praticam exatamente o contrário. São responsáveis por criar um consenso, onde praticamente não há qualquer possibilidade de se ouvir atentamente o outro lado – o que a Sociedade Civil e o Estado pensam sobre o assunto. Tais argumentos possuem tamanha força ideológica, que são capazes de mascarar a ação deturpadora das informações executadas pelos serviços de radiodifusão (rádio e televisão). Como no caso do filme, a mídia propagou a disseminação de um reality-show que afrontava o direito humano fundamental em detrimento de gratificações onerosas para os candidatos e audiência para a emissora.
Diante do exposto, questiona-se: que democracia é esta que a mídia tem defendido?
Ao lançar programas com a finalidade de aumentar audiência e lucratividade (como o reality-show Live!), lançam também tendências prejudiciais aos valores da Sociedade Civil - que é vítima inconsciente de todo esse processo ideológico. Assim, a mídia estaria se apropriando de seu poder para atender a objetivos particulares em detrimento do bem-estar coletivo. Desvirtuando seu papel sociocultural em nome da liberdade de expressão.
Todavia, embora a distribuição das concessões nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) devam ser efetivamente controlados e vinculados aos interesses da população, felizmente ou infelizmente quem cumpre o papel de convencê-los é a mídia, que se utiliza de tal poder em seu próprio favor. Isto porque ela é responsável por criar e manipular opiniões. É, portanto, dever do Estado garantir políticas públicas de Direitos Humanos, uma vez que a sociedade não pode ficar desprotegida de mecanismos reguladores.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948) enumera os direitos que todos os seres humanos possuem.
“A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição” (WIKIPÉDIA, 2010)
A Declaração dispõe ainda no Artigo III que: toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. E no Artigo V que: ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
No filme LIVE! pode-se considerar que estes dois artigos são violados, haja vista que candidatar-se a um programa de televisão onde há possibilidade de interrupção do direito a vida ao mesmo tempo em que a pessoa está sendo submetida a tratamento de castigo cruel (morrer diante de milhares de telespectadores) e desumano (pois trata a pessoa como mero objeto de um jogo). Como agravante, tem-se o fator de ser ao vivo. Com isto, nota-se propagação da banalização da vida.
Pode-se perceber isto no momento em que o candidato Brad (Eric Lively) aperta o gatilho e morre. A manipulação do fato se dá no momento em que diante da morte não se permite espaço para reflexão do fato, interrompendo-o com uma música alegre e outra mensagem logo em seguida (Rick não morreu). Como se isto tornasse a morte menos impactante.
Está é lógica da mídia no século XXI, a efemeridade das informações, o destaque às notícias que a interessam. Como já foi dito antes, a manipulação da opinião pública e a construção ideológica de valores sociais que desrespeitam os direitos humanos.
O Brasil é um exemplo onde algumas famílias dominam os meios de comunicação, e que moral essa oligarquia tem para dizer que são democráticos? Diante do exercício de monopólio privado da mídia, com certeza, nenhuma.
Diante do exposto, o Governo Lula lança no Brasil lança o Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 3, que dispõe sobre a mídia, e especifica na diretriz 22: a garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para a consolidação de uma cultura em Direitos Humanos, com o objetivo de promover o respeito aos Direitos Humanos nos meios de comunicação e o cumprimento de seu papel na promoção da cultura em Direitos Humanos; e a garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação.
Portanto, o Estado não deve omitir-se em legislar quanto à regulação dos meios de comunicação, da mesma forma que a Sociedade Civil deve exercer o controle social, no que diz respeito ao exercício democrático dos meios de comunicação, respeitando os Direitos Humanos no cumprir de seu papel sociocultural.
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É isso, espero que todos possam refletir mais sobre o papel da mídia em nossas vidas!
Abraços,
Giselle Viegas
Um comentário:
Ei, Gisa... segue meu outro blog, alguem pegou a senha do meu antigo... :(
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