
O tempo faz pirraça com a gente!
Quando precisamos que ele se alonge... ele se encurta, e vice-versa!
O homem pode transformar a natureza, sentir-se dono dela, satisfazer suas objetivações... mas jamais poderá intervir concretamente em alguns aspectos naturais.
A morte: pode ser retardada pela medicina, mas não pode ser eliminada. É natural, vem para todos.
O tempo: é igual para todos
Estudando os trabalhos de Karl Marx e Friedrich Engels (escritos há pelo menos 150 anos), percebi algo interessante sobre a relação homem-natureza:
A capacidade que o homem tem de transformar a natureza é o que Marx chama de trabalho e também denomina de base econômica. Existe uma relação de dependência aí, porque a natureza existe sem a sociedade, mas a sociedade não existe sem a natureza. Por se tratar de uma relação primária e necessária à sobreviência, torna-se insuprimível, por mais que o homem se desenvolva por sua racionalidade e domínio da natureza, sempre dependerá dela para sobreviver (ex: água potável).
A mediação da relação homem-natureza é feita através da utilização de instrumentos (como o martelo, a faca, a serra elétrica, etc) , e foi por meio do trabalho que o homem produziu ao longo da história o ser social. Ou seja, a necessidade natural é comer, a partir do momento que o homem utiliza instrumentos para satisfazer essa necessidade ( cozinhar, fritar, congelar, condimentar, etc) ele se constitui em ser social. Logo, todos os homens precisam trabalhar para satisfazer suas necessidades.
Qual a dimensão sociológica disto?
- À medida em que o homem domina a natureza, destruindo-a, ela responde se esgotando. De maneira que, se continuar assim, o ser social se destruirá.
Em outro momento, lendo sobre o Trabalho Alienado nos manuscritos econômicos e filosóficos de 1844, Marx já havia feito uma crítica muito pertinente ao nosso atual Modo de Produção Capitalista. Pois, neste modo de produção, quanto mais o homem trabalha, mais ele empobrece. Devido à valorização do mundo das coisas, ocorre a desvalorização do mundo dos homens. O homem vende seu trabalho, tornando-se mercadoria, para ganhar um salário que lhe permite apenas a reprodução social imediata, com isto, sua capacidade de pensar e de construir uma consciência é reduzida, limitada [alienada]. Segundo ele, dessa maneira a sociedade vai caminhar para um condição insustentável, ou seja, para a barbárie.
É isto que estamos vivendo hoje. Marx não tinha uma bola de cristal, nem pacto com o Capeta; ele apenas estudou a economia política e fez uma previsão racional. [só pra esclarecer, o cara era economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista]
Cada dia queremos mais, somos egoístas demais. Aceitamos a banalização da violência, à medida em que aceitamos pessoas morrendo na porta dos hospitais, também aceitamos o aumento da criminalidade quando não nos chocamos mais com a realidade social, bandidos colocando armas na cabeça de nossos amigos, grades por todo lado, insegurança total... mas é claro se achamos normal hoje em dia morrer na porta de um hospital (onde se deveria salvar vidas, que nada mais é do que garantir um direito primordial - direito à vida), também se torna normal conviver com a insegurança e assim por diante.
O mais incrível é que a transformação de tudo é feita pelo próprio homem, tanto da natureza quanto da sociedade. Podemos modificar esta realidade, pois nós a construimos. Sabe... na história vimos grandes conquistas a partir da união e da força de classes afetadas, como a aboliçao da escravidão e a inserção da mulher no mercado de trabalho. Ou você acha que os brancos pensaram: ah já chega de ganhar dinheiro escravizando os negros!!. Foi a iminência de uma revolta, foi a indignação generalizada, foi quando perceberam que se eles cruzassem os braços o sistema não andaria. Se eles não tivessem essa consciência naquela época, estaríamos na mesma até hoje. Afinal de contas somos nós que movemos a economia local, regional e mundial. Mas essa capacidade de pensar, essa consciência, já não é mais uma atribuição latente do ser social... pois com a alienação do trabalho, não temos tempo para pensar nessas coisas, e a mídia ajuda a nos preocuparmos com outras coisas "mais importantes".
Se tivéssemos esclarecimento, se pudéssemos usar a globo para educar e desalienar a população... mas não podemos, porque é exatamente sendo alienados que garantimos a estabilidade dos interesses da classe dominante (consturir castelos, comprar jatinhos, etc).
Quero deixar uma pergunta para reflexão:
O QUE PODEMOS FAZER?
Essa música fala do tempo e faz referência a como comemos ansiosos para que ele passe!! Acontece comigo, e com vc?
PIRRAÇA-Vanessa da Mata
Passa o tempo sem demora Quando não penso nas horas Os ponteiros do relógio Fazem voltas se não olho Mas quando acendo o fogo Para fazer um café Vejo o tempo parar Pra água ferver Parece nunca acabar, espera sem fim 06:04; 06:05; 06:05; 06:05 Esperando o apito da chaleira Vejo o tempo parar Parar O tempo pirraça Quando à tarde no trabalho Quero que o tempo passe Os ponteiros do relógio Só me dão o tique-taque Quando eu encontro os amigos Para tomar um café A rapidez que não tinha Sem disfarçar Parece brincadeirinha Pega-pega Quando paro que olho as horas Para o tempo que me olha E espero ansiosa Vou comendo a casa Paçoca, suspiro, cocada, jujuba Quindim, bombom, churros, bomba Paçoca, suspiro, cocada, jujuba Quindim, bombom, churros E vejo o tempo parar Parar O tempo pirraça Paçoca, suspiro, cocada, jujuba Quindim, bombom, churros, bomba